Delegacia que combate furto de energia, água e gás prendeu 150 infratores nos ultimos meses...
Há um grupo de policiais no Rio de Janeiro cujas ações raramente envolvem tiroteios ou operações em áreas onde grassa a violência. Muitas vezes elas ocorrem em um restaurante badalado ou em um condomínio de mansões em bairros com metro quadrado de alto valor. Criada há nove anos, a Delegacia de Defesa de Serviços Delegados (DDSD) é a primeira no país especializada no combate a furtos contra concessionárias públicas. Gatos – as ligações clandestinas – são com ela mesma.
As empresas desse setor registram em todo o estado um prejuízo que atinge a cifra de 800 milhões de reais por ano. Em 2007, as estatísticas da DDSD dão a dimensão do estrago desse tipo de fraude. Foram mais de 1600 ocorrências e 150 prisões efetuadas. Com base no bairro de São Cristóvão, a delegacia conta com 46 policiais e quatro peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, formados em engenheira elétrica, que constatam irregularidades no abastecimento de energia, água e gás. Nos fundos de sua sede, dois depósitos abarrotados de relógios de medição elétrica apreendidos mostram a extensão do problema. As maiores prejudicadas são as distribuidoras de energia Light e Ampla, enquanto a Companhia de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), que intensificou sua repressão no ano passado, conseguiu reduzir as fraudes.
Na busca por flagrantes e irregularidades, a equipe de investigação sai às ruas com policiais, peritos e técnicos das concessionárias. O crime por furto é passível de prisão de um a quatro anos. Geralmente, a Justiça permite ao réu responder ao processo em liberdade e substitui a pena por multa e serviços à comunidade. O principal alvo da delegacia são os grandes consumidores. Já foram descobertos gatos de água em restaurantes estrelados como o Garcia & Rodrigues, no Leblon, e a churrascaria Barra Brasa, na Barra da Tijuca, além de bares da Lapa, universidades e mansões em condomínios luxuosos. As ações também têm efeito pedagógico. "Depois que alguém é apanhado, os vizinhos que estão irregulares não querem passar pelo mesmo constrangimento e nos procuram para legalizar a situação", afirma Wagner Victer, presidente da Cedae. Para evitar surpresas, os policiais da DDSD recomendam que todo imóvel seja submetido a uma inspeção cuidadosa das concessionárias antes da ocupação.
Para as empresas, a ação policial tem funcionado. Em operação denominada “Gato Chique”, policiais da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) e técnicos da Assessoria de Segurança Empresarial da Nova Cedae encontraram 28/10/2010, ligação clandestina de meia polegada de diâmetro na casa 42 do Condomínio Bosque dos Bandeirantes, à Estrada dos Bandeirantes, 28.611, em Vargem Grande, na Zona Oeste. Esta é a segunda ocorrência de clandestinidade no imóvel.
O proprietário da espaçosa residência de dois andares, com piscina, sauna, cisterna de 10 mil litros e duas caixas d´água de mil litros cada, é reincidente na prática de furto de água. Esta é a segunda vez que é identificada irregularidade no imóvel. Em 2008, foi detectado “gato” na casa que, à época, não tinha sequer matrícula na Cedae.
O empenho da Cedae no combate às ligações clandestinas, que afetam diretamente os contribuintes que pagam pelo serviço, tem sido uma das prioridades da Cedae. Nos últimos três anos, foram realizadas mais de 7 mil operações para coibir a prática criminosa.



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